Quando Eu Venho De Iluanda

Quando eu venho de Iluanda
Na sua terra o negro era gente.
Mas foi arrancado de lá
Na sua terra o negro era forte
Mas foi arrancado de lá
Na sua terra o negro era bonito, era puro
Mas foi arrancado de lá
Na sua terra o negro era guerreiro
Mas foi arrancado de lá
Na sua terra o negro Rei.
Mas foi arrancado de lá
Aqui o negro é nada, agora o negro é pouco, humilhado,
Espancado, sua coragem em frangalhos.
Mas dorme no peito do negro, latente ódio, e um grito de Liberdade.
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Trago meu corpo cansado,
Coração amargurado, saudade, fazem dó
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Eu fui preso a traição, trazido na covardia,
E se fosse luta honesta, de lá ninguém me trazia,
Na pele eu troce a noite, na boca brilha o ar,
Trago a força e a magia presente dos orixás
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Eu trago ardendo nas costas, o peso desta maldade,
Trago ecoando no peito, o grito de liberdade,
É grito de raça nobre, grito de raça guerreira,
É grito da raça negra, é grito de capoeira.
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só,
Quando eu venho de Iluanda eu, não venho só...